Veja para onde irão os investimentos em TI em 2012

Gartner estima que 144 bilhões de dólares serão gastos com TI e telecom no Brasil no próximo ano, sendo que cerca de 65 bilhões de dólares virão do corporativo. A consultoria forneceu dados verticais exclusivos do mercado nacional

Há uma montanha de dinheiro sobre a mesa. Para ser mais exato: 143,8 bilhões de dólares. Este é o montante que o Gartner estima que o mercado brasileiro gaste com tecnologias da informação e telecomunicações em 2012. De acordo com a consultoria, quase metade disso – 65,3 bilhões de dólares – virá de projetos corporativos. Perspectivas animam.

O Brasil é o país que apresenta a expansão mais acelerada depois de China e Índia. O crescimento por essas terras será superior ao verificado na Europa, Estados Unidos e Japão, muito puxado pela estabilidade macroeconômica nacional, pelo fortalecimento da indústria local frente a um cenário global de crise e por uma inegável onda de consumo interno. O contexto cria um cenário favorável para a profissionalização das ações de tecnologia.

Conversamos com Kenneth Brant, analista do Gartner, que detalhou os investimentos corporativos em TI e telecom por mercados verticais em um intervalo que apresenta um cenário até 2015. Além disso, ele destrinchou os números por categoria tecnológica. Para complementar, ouvimos CIOs de importantes representantes de algumas dessas indústrias para saber para que direção seus olhos estarão voltados a partir de janeiro.

Finanças – bancos pós-fusões

Instituições financeiras funcionam como motores da adoção tecnológica. Este é um fato brasileiro histórico que rendeu até um livro com mais de 400 páginas lançado em 2010 (Tecnologia Bancária no Brasil, da editora FGV RAE). Trata-se de um sistema complexo, construído com características próprias que remontam a complexidades locais, competitividade entre players e busca por inovação. Tanto que as quantias investidas são substantivas. Pelas projeções do Gartner, essa indústria deve avançar 8,8% sobre os gastos com TI verificados este ano e fechar 2012 alocando um total de 9,9 bilhões de dólares em tecnologia.

O crescimento do volume de operações e da bancarização nos últimos dez anos foi alto. Transformando isso em números, houve um saldo de 63,7 milhões para 141,3 milhões de contas correntes entre 2000 e 2010. No período, as transações pela internet intensificaram-se.

“As instituições financeiras brasileiras foram obrigadas, durante o longo período de alta inflação, a adequar sua infraestrutura às mudanças de moeda, pacotes econômicos e etc”, comenta Luis Antonio Rodrigues, diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e CIO do Itaú Unibanco, que acrescenta: “mais recentemente, os investimentos também foram caracterizados pelas grandes fusões que marcaram o setor.”

Na visão do executivo, o setor financeiro local continuará sua curva de crescimento de investimentos em TI nos anos de 2011 e 2012 na ordem de 10% a 15%. “O grau de investimento, porém, sofre mudança: desloca-se o polo de infraestrutura para tecnologias inovadoras. Para novas aplicações, novos canais de relacionamento, sempre alinhados com a meta de melhor atender o cliente”, sinaliza, dizendo que investimentos para o ano que vem ainda contemplarão atendimento da terceira versão da Basileia e gestão de riscos.

Novos meios de pagamento, mobilidade (mobile banking & payment), moedas digitais, interoperabilidade e convergência digital, inteligência analítica, novos canais e avanço dos meios eletrônicos de transação continuam na pauta do setor que deve chegar, em 2015, a um patamar de aportes em TI de 12,4 bilhões de dólares no Brasil.

Educação – ensino sem fronteiras

Quando um executivo deixa a presidência do Google Brasil para assumir o posto de líder de uma das maiores universidades privadas do País, algumas leituras menos óbvias da importância da tecnologia para o setor de educação soam inevitáveis. Existem muitas discussões sobre os avanços tecnológicos direcionados ao ambiente educacional brasileiro. O segmento deve aplicar quase 1,6 bilhão de dólares em projetos de TI.

O segmento é aberto à adoção de novas tecnologias e mostra certo engajamento para incorporar recursos na sala de aula de forma consistente e agregando valor para criar um modelo aderente, inovador e atualizado. Além disso, a vertical vive uma expectativa a partir de intensificação de modalidades de ensino a distância e criação de novos cursos. Muitas faculdades, por exemplo, aguardam ansiosas por uma definição nessa frente para alocar recursos no incremento de redes, servidores, hospedagem (o site é a escola) e sistemas que permitam uma boa experiência aos alunos.

Outro componente é a consolidação, que coloca na agenda dos departamentos de TI um esforço grande de integração de sistema. “Há uma tendência de unificação no segmento educacional. As fusões e aquisições pedem profissionalização da gestão em busca de diferenciais para atrair alunos num mercado com grande oferta”, avalia Bruno Henrique de Macedo Machado, gerente de TI da Anima Educacional, que opera universidades em Belo Horizonte (MG) e Santos (SP), atendendo 37 mil alunos.

Justamente por isso, o executivo cita que muitos representantes do segmento ainda lutam para achar um ERP aderente às especificidades de sua atuação. “Ainda há um movimento de entendimento dessa questão, pois não há um sistema de referência, já que os modelos acadêmicos têm muita diferença processual”, comenta.