Mercado de trabalho: como lidar com o excesso de qualificação

Acompanhe cinco dicas para evitar que a super qualificação se transforme em um problema no momento de buscar um novo emprego

Há alguns meses, Derek Stolpa atua como consultor independente enquanto, em paralelo, busca a recolocação no mercado. O executivo foi demitido da empresa de auditoria Jefferson Wells, na qual atuava como diretor de TI.

Stolpa já realizou uma série de entrevistas de emprego e têm ouvido com frequência a alegação de que é muito qualificado para a função de gestor de TI. “O que me entristece em toda essa história é que tenho muito carinho pela minha função. Tudo que quero é compartilhar aquilo que sei”, diz o profissional.

Ouvir que alguém está muito qualificado para cumprir determinada função representa um código indecifrável para muitos profissionais de TI. A pergunta que fica é: será que as empresas preferem pessoas menos competentes?

Ultrapassar os requisitos mínimos para uma determinada vaga de trabalho tem vantagens para os candidatos e, em vários aspectos, isso acaba beneficiando o empregador. Na perspectiva desse último, contratar alguém muito competente reduz ou elimina completamente a necessidade de treinamento, ao passo em que o candidato traz bagagem e variedade de experiência refletidas na qualidade de seu trabalho. Finalmente, a integração de um funcionário de alto padrão na equipe eleva o moral de forma geral.

O lado ruim de contratar alguém muito qualificado para as empresas é que a área de recursos humanos teme que esse profissional rapidamente fique desmotivado e deixe a organização. Além disso, os colegas de trabalho e a equipe podem enxergar esse colaborador como uma ameaça. Por fim, a preocupação das áreas de recursos humanos está em atender às expectativas de evolução salarial de alguém extremamente qualificado.

Seguem cinco dicas para profissionais super qualificados buscarem uma recolocação no mercado e minimizarem os problemas ligados a um currículo que supera as expectativas:

1. Carta de apresentação

É absolutamente essencial explicitar na carta de apresentação os motivos do interesse pela empresa e cargo aos quais se candidata. O documento deve deixar claro que o candidato andou preocupado em entender as atividades da companhia e em identificar em que função pode ser útil. A informação é do gerente de TI da empresa norte-americana de equipamentos médicos Cook Group Inc., Michael Kohlman.

Caso o candidato saiba que é qualificado demais para a vaga, o profissional deve deixar bastante claro em que questões a sua experiência pode impulsionar a dinâmica da empresa, afirma Kohlman.

Esse tipo de argumentação tende a deixar o entrevistador mais confortável e eliminar possíveis desvantagens intrínsecas à situação.

2. Não desqualifique o currículo

A tentação de rebaixar as qualificações, de eliminar determinadas aptidões e de omitir competências deve ser resistida bravamente. “Apresentar um currículo detalhado e com qualificações é fundamental”, diz o diretor de TI da empresa que atua na área de seguro-saúde Medex, Eddie Jenkins. “Deixe que as pessoas saibam que você realmente é”.

3. Prepare-se para a entrevista

Levada em consideração a preocupação que vários gerentes de RH têm no que se refere à fidelidade e às expectativas de carreira do candidato na empresa, antecipe-se às perguntas do entrevistador. De forma geral, os questionamentos serão orientados a identificar se o candidato tem real interesse em permanecer na empresa ou se quer apenas arranjar uma ocupação que o livre de apertos financeiros passageiros, enquanto não arranja nada melhor.

Aos entrevistados fica a dica de, sob hipótese alguma, mencionar a falta de dinheiro como fator motivador de buscar o cargo. Essa atitude em conjunto com qualquer evidência de que o candidato espera ascender astronomicamente na empresa, é fatal para o sucesso da entrevista.

Kolhman afirma que o candidato deve mostrar confiança ao justificar sua opção por um cargo abaixo de suas qualificações com argumentos que indiquem um propósito de crescimento consistente. “É muito positivo agir assim”, define. 

Em outras palavras, o candidato deve deixar claro, que a opção pela vaga está alinhada às intenções de crescimento profissional em longo prazo.

4. Definir limites 

Derek Stolpa afirma que durante as entrevistas, todas as vezes que o entrevistador dá indícios de que a super qualificação ao cargo pode ser um impeditivo tenta deixar claro que reconhece as limitações e que, sob hipótese alguma, tentará extrapolar as demandas específicas do seu cargo, salvo se for solicitado.

Para Stolpa é importante que os gerentes de RH entendam que profissionais super qualificados, que passaram um tempo inativos, temem ser reconhecidos como uma ameaça. “Estamos dipostos a recomeçar do início” diz. “Queremos viabilizar nossa reentrada no mercado de trabalho e prestar bons serviços”.

5. Mostre os benefícios para a empresa

Segundo o CIO da rede de restaurantes Back Bay, de Boston, David Starmer, uma vez que o candidato decidiu aceitar uma ocupação de nível inferior, é importante que se apresente como alguém valioso para o potencial contratante. Sem dar sinais de desespero, o candidato deve evidenciar as vantagens que representa para a empresa contratar um funcionário mais experiente a um custo menor.

Stamer relata que teve uma experiência nesse sentido dentro de sua equipe. Há seis meses, ele contratou um arquiteto da informação bastante qualificado, com 25 anos de experiência no mercado de serviços financeiros, para assumir o posto de gerente de projetos. Segundo o executivo, a decisão foi fruto de uma avaliação das qualidades do profissional.

Fonte: Mercado de trabalho: como lidar com o excesso de qualificação