Laboratório dentro de um chip dá salto com fonte de luz interna

Biochips

Para construir chips cada vez mais versáteis, com mais funções e com maior poder de processamento, pode-se inserir mais componentes dentro de um mesmo chip – como se tem feito até agora – ou inserir mais funcionalidades dentro de um chip do mesmo tamanho.

Os biochips (ou lab-on-a-chip, como são conhecidos em inglês) – verdadeiros laboratórios médicos no interior de uma pastilha de silício – são o melhor exemplo desta segunda abordagem.

Eles estão nas fases iniciais de desenvolvimento. Embora vários modelos estejam começando a chegar ao mercado, e variações dos biochips – chamados microarrays – sejam largamente utilizados nos laboratórios científicos, o potencial dos biochips é gigantesco e não foi sequer arranhado.

Uma única gota de sangue, ou qualquer outro fluido corporal, colocada sobre um biochip será tudo o necessário para o diagnóstico de doenças e para a realização de exames que hoje exigem grandes laboratórios clínicos e que levam dias para ficarem prontos.

Transístor que emite luz

Agora, graças a um esforço de pesquisas que reuniu empresas e várias instituições acadêmicas europeias, a fabricação de biochips mais poderosos e com mais funcionalidades está prestes a dar um salto.

Os pesquisadores criaram transistores emissores de luz a partir de de filmes orgânicos – filmes são películas muito finas. Esses materiais são orgânicos porque são baseados em carbono – mais especificamente são plásticos à base de carbono.

O plástico é transformado em um filme muito fino, de um micrômetro ou menos de espessura, que é depositado sobre uma superfície ou substrato – neste caso, a pastilha de silício onde será construído o chip e todos os minúsculos canais por onde os fluidos a serem analisados serão direcionados até os sensores.

“A vantagem de trabalhar com filmes finos é bastante clara em termos da pequena quantidade de material necessária para construir um dispositivo funcional”, diz Michele Muccini, coordenador do projeto OLAS (Organic electrically pumped LASer).

“Não apenas criamos um dispositivo eletrônico completamente funcional na forma de um transístor de efeito de campo (FET), mas também fomos capazes de fazê-lo gerar luz”, explica Muccini. E os sensores mais precisos para as análises a serem feitas dentro dos biochips funcionam justamente à base de luz.