Kaspersky Lab faz previsão de cybercrime até 2020

A Kaspersky Lab apresenta previsões sobre os perigos digitais para o período entre 2011 e 2020.

A análise foi baseada nas principais mudanças e desafios ocorridos na área da segurança da informação durante a última década, principalmente com relação ao impacto que as tecnologias de última geração provocaram no desenvolvimento dos novos computadores pessoais, telefones móveis e sistemas operacionais.

De acordo com os especialistas da empresa, as tendências mais importantes dos últimos dez anos foram mobilidade e miniaturização, dispositivos cada vez menores com acesso à internet, tornando as redes wireless o método mais popular de conexão; transformação no desenvolvimento de vírus para o crime cybernético; liderança do sistema operacional Windows nos computadores pessoais; intensa concorrência no mercado de plataformas móveis sem uma liderança definida; redes sociais e mecanismos de busca se tornaram os principais serviços online da atualidade; o mercado de compras pela internet gera receitas que ultrapassam o orçamento anual de alguns países.

A principal mudança que ocorrerá na próxima década será o fim do domínio do Windows no mercado voltado ao uso pessoal. Mesmo com a prevalência dessa plataforma no segmento corporativo, os consumidores terão contato com uma variedade cada vez maior de sistemas operacionais alternativos. É interessante ressaltar que até agora o número de dispositivos com acesso à internet, que englobam a plataforma Windows, é quase o mesmo que os equipamentos integrados à outros sistemas e, ocasionalmente, pode ser superior à quantidade de produtos com o padrão Microsoft.

A variedade de novos sistemas operacionais afetará ainda o processo de criação de ameaças, pois os cybercriminosos não serão capazes de desenvolver códigos mal-intencionados para um grande número de plataformas. Com isso, eles terão duas opções: atacar múltiplos sistemas operacionais e ter o controle de diversos dispositivos ou especializar-se em afetar os sistemas Windows nas empresas. Para a Kaspersky, a segunda opção provavelmente será a mais atraente, pois até 2020 os ataques direcionados aos usuários se tornarão cada vez mais complexos devido a padronização dos sistemas de proteção de pagamentos eletrônicos e serviços bancários online e pela adoção da identificação biométrica.

Essas mudanças afetarão as técnicas de criação de vírus à medida que os sistemas operacionais evoluírem. Muitos criminosos cybernéticos que atacavam o Windows terão que se tornar adeptos a explorar os sistemas de última geração para manter “seu lugar ao sol”. Para isso, eles precisarão solicitar a ajuda dos desenvolvedores mais jovens, capazes de criar códigos mal-intencionados para as novas plataformas. No entanto, essa situação não irá continuar para sempre e ela deve se desenvolver até chegar a uma “guerra” entre os diferentes hackers e grupos de hackers.

Em 2020, os cybercrimes, provavelmente, serão divididos em dois grupos. Um grupo será especializado em ataques às empresas, às vezes sob encomenda. As espionagens comerciais, roubos de bancos de dados e ataques à reputação organizacional terão uma alta no mercado negro. Os hackers e os especialistas da área de TI entrarão em confronto no campo de batalha virtual. As agências federais de combate ao crime cybernético deverão se envolver no processo e terão que lidar, principalmente, com plataformas Windows e com as mais recentes versões dos tradicionais sistemas *nix.

Já o segundo grupo se especializará nos ataques que impactam a vida diária das pessoas comuns, como transporte público e outros serviços. O sustento dessa nova geração de hackers terá como foco a exploração desses sistemas para livre utilização, além de remover e alterar dados pessoais de outros usuários para proveito próprio.

A tendência de uso da internet sendo um recurso popular de comunicação, entretenimento, notícias e como uma ferramenta especialmente projetada para o comércio virtual e pagamentos online deve continuar aumentando. A “base de usuários online” se expandirá sustentada pelos dispositivos móveis e inteligentes, capazes de usar a rede para trocar e transferir informações sem a necessidade de intervenção humana.

As Botnets (redes zumbis), uma das mais potentes ameaças da área de TI atualmente, evoluirão drasticamente.  Elas incorporarão, cada vez mais, dispositivos móveis baseados na internet, fazendo com que os computadores zumbis que conhecemos atualmente tornem-se coisas do passado.

A convergência afetará ainda as ferramentas e tecnologias de comunicação resultando em um grande aumento das taxas de transferência de dados e aperfeiçoando a comunicação virtual para muito próxima da vida real. Até 2020, a comunicação via internet por meio de teclados só existirá em filmes antigos, obrigando a criação de novas maneiras para disseminar mensagens indesejadas (spam) para endereços no mundo inteiro. O primeiro passo será os alvos dos spams, que deixarão de ser os desktops e passarão para os dispositivos móveis. O volume de spam móvel crescerá drasticamente, enquanto o custo das comunicações web encolherá, devido ao desenvolvimento intensivo de sistemas de comunicação celular.  Consequentemente, os usuários se preocuparão menos com as ameaças por meio do recebimento de material promocional indesejado.

O velho ditado “conhecimento é poder” será mais importante do que nunca. A guerra pelos meios de coleta, gestão, armazenamento e uso de informações sobre tudo e todos, definirá a natureza das ameaças na próxima década, tornando a proteção da privacidade um dos principais temas da década.

fonte: Kaspersky Lab faz previsão de cybercrime até 2020