Gestão de tempo na empresa

Comecei minha vida como consultor ministrando programas de Gestão do Tempo, Planejamento e organização do Trabalho. Na época esse tema era um dos mais demandados no mercado de treinamento brasileiro.

Os anos foram passando e com eles veio a crença de que esse era um tema fora de moda. Nos 10 últimos anos da conferencia da ASTD e outras do ramo, me lembro de apenas um palestrante ter abordado esse assunto.

O mesmo acontece nos grandes eventos brasileiros tais como CBTD, CONARH, etc. Como sabemos, os modismos contam muito na hora da contratação de eventos. Vocês se lembram da APO, Laboratório de Sensibilidade?

Aí entram as perguntas que não querem calar. Será porque as empresas e seus colaboradores não precisam mais dessa competência? Será porque todos nós temos “consciência” de que sabemos tudo sobre esse tema? Será que a “culpa” é dos consultores que fazem sempre a mesma coisa, dando ao produto um ar poeirento? Será por causa das abordagens mecanicistas?

Poderíamos ficar horas nos perguntando sobre os porquês, sem chegar a qualquer unanimidade. Na verdade, acreditamos que a situação acima representa um somatório de todas as perguntas.

O Caminho da Ressurreição

Esse caminho passa por algumas estratégias e ações quando da decisão pelo desenvolvimento dos programas de Gestão do Tempo.

O estado de penúria e a falta de credibilidade a que chegam os programas de Gestão do Tempo têm origem na ausência de envolvimento das pessoas que condicionam o uso do tempo pelo futuro participante. Não adianta trabalhar efeitos sem tratar antes as causas (daí, também, a necessidade de grupos homogêneos nos treinamentos).

A par disso, é bom lembrar que a solução de um problema depende de nossa “consciência” sobre esse problema, bem como de seu tamanho (já dizia Freud). Quanto maiores os problemas, mais rápidas as medidas para a solução.

Um cuidado especial deve ser tomado ao desenhar o programa, nada de muita tecnologia ou informação ou comportamento. O Mix pode variar, mas todas devem estar sempre presentes e de forma equilibrada.

A dimensão cumplicidade é uma facilitadora das mudanças, quanto mais gente envolvida menor a resistência.

O gradualismo é outra dimensão interessante, no que diz respeito à fluidez no processo de mudança. Uma alternativa é começar pelo princípio de Pareto, focando os 20% das ações que produzem 80% dos resultados.

As pessoas não adotam comportamentos inovadores com a mesma flexibilidade. Respeite o timing dos outros.

“Programar” o tempo do cliente/fornecedor costuma ser uma atitude inovadora, não só porque envolve a cadeia de valor, mas pelo fato de ultrapassar os limites da organização. Para tanto basta definir, de comum acordo, uma agenda prévia.

A implantação de quaisquer esforços em gestão do tempo tende a dar melhores resultados quando os objetivos são também pessoais e não apenas organizacionais.

Programas de gestão de tempo

Tirar os programas de Gestão do Tempo da síndrome do “primo pobre” a que foram relegados não é tarefa fácil.

A nós, consultores, cabe o papel de “esclarecer” aos clientes quais são os erros mais comuns no processo de seleção de quem vai ministrar os programas, bem como os aspectos estratégicos e operacionais de seu desenvolvimento.

A esta altura se o leitor ficar com a sensação de déjà vu, sugiro que releia o texto e verifique se a intenção e o conhecimento não estão prevalecendo sobre ações efetivas. Não basta saber, é preciso querer fazer…

Concluindo, lembro que minha finada mãe ia semanalmente à farmácia. Será que advinham qual a pergunta que ela fazia ao farmacêutico? Quais são as novidades? Moral da história, precisar ela não precisava, mas se houvesse algo novo ela comprava! Agora pense, qual foi a última vez que um consultor, amigo etc, falou sobre novidades em Gestão do Tempo?

“Levanta-te e anda”.

fonte: Gestão de tempo na empresa.