Estudo da IBM e do MIT mostra avanço das empresas em análise de dados

Setores mais maduros, a exemplo de finanças e telco, miram funcionalidades como criação de vantagem competitiva e identificação de clientes alvo

É comum ouvir empresas dizendo que possuem ferramentas de análise de dados como business intelligence ou analytics, mas, no dia a dia, poucas conseguem extrair resultados que gerem um diferencial competitivo. Em alguns casos, o problema está na solução implantada, em outros, na falta de uma cultura de uso da capacidade analítica. Mas tal realidade está em mutação. Pelo menos essa é a constatação de um estudo produzido pela IBM, em parceria com o MIT Sloan Management Reviewe, e divulgado com exclusividade pela IT Mídia.

“Cada vez mais empresas utilizam toda a capacidade analítica para ter vantagem no mercado em que atua. Esse foi um grande salto verificado no estudo”, pontua Mario Hime, líder de consultoria da IBM Brasil para business analytics. “As empresas começam a enxergar valor na cultura orientada à informação.”

O estudo, que ouviu 4,5 mil executivos de empresas espalhadas por 120 países, entre eles o Brasil, e representando mais de 30 indústrias, divide as companhias em três categorias: aspirantes, experientes e transformadas. Esta última reúne as corporações mais avançadas na aplicação de soluções de inteligência de negócio e onde Hime verifica a grande evolução na cultura orientada à informação. “As aspirantes estão focadas nas coisas básicas, pegam informações financeiras ou o básico do operacional para ver o que acontece.”

Na prática, as companhias que iniciam na cultura de inteligência de negócios olham no retrovisor e avaliam o desempenho passado. A tendência – e onde reside o maior trabalho das fabricantes – está em produzir cenários que auxiliem e acelerem a tomada de decisões. Não é a toa que, ao avaliar o gráfico do estudo que traz as prioridades das companhias com as ferramentas de análise, as classificadas como transformadas apontam coisas como: identificação de clientes foco, desenvolvimento ou refinamento de novos produtos e serviços, estabelecimento de previsões financeiras e avaliação de desempenho dos funcionários.

“Essas empresas buscam avaliar o entendimento do cliente dentro do segmento para atingir com ofertas e serviços que agradem determinado perfil de consumidor. Com isso, evitam perda de clientes. São ações cada vez mais centradas. No caso do RH, a ideia é verificar o uso correto dos recursos”, comenta Hime.

No Brasil
De forma geral, a questão cultural é apontada como barreira para adoção de ferramentas de análise de dados por 44% das companhias ouvidas. Neste item, pode-se incluir resistência a novas ideias e, também, ausência de competências necessárias. A questão tecnológica é vista como empecilho apenas para 24% das organizações.

Atingir o nível de maturidade, entretanto, não é algo fácil e independe da companhia integrar ou não um setor mais maduro. Enquanto telco e finanças – por questões relacionadas às características de mercado e regulação – têm uma preocupação tradicional em trabalhar bem as informações, segmentos como varejo e utilities colecionam avanços interessantes.

Mas, como lembra Hime, a questão da cultura da empresa tem influência direta neste assunto. “São as empresas que desvendam maneiras de fazer as coisas diferentes. Elas criam demanda, pois têm cultura de uso da informação e saem na frente do concorrente. As outras seguem a partir da demanda criada.”

Embora o estudo tenha uma visão global, até pelo número de participantes, o líder de consultoria da IBM acredita que os resultados, de certa forma, refletem a realidade do mercado local. “Telcos e bancos estão muito avançados no uso da informação por regulamentação e competitividade. Por outro lado, bens de consumo e outros setores começam a se preocupar, existe um movimento, principalmente, no varejo, com toda a parte do entendimento do cliente.”

fonte:Estudo da IBM e do MIT mostra avanço das empresas em análise de dados