Escolha a metodologia de desenvolvimento mais adequada

Voltadas a evitar que os projetos virem um caos, as metodologias para desenvolvimento de software têm passado por mudanças. Isso porque, os métodos tradicionais deixaram, em muitos momentos, os desenvolvedores amarrados a requisitos desatualizados, que não correspondiam às reais necessidades do cliente. Mas em mercados altamente competitivos ou em momentos de crise econômica, a flexibilidade e a facilidade de mudar o rumo representam qualidades muito valiosas para serem deixadas de lado.

Existem outros tipos de metodologias, denominadas ágeis (do inglês Agile), que, ao contrário, oferecem ao desenvolvedor total flexibilidade e aproximam a equipe de tecnologia da informação do usuário final do software, seja ele um cliente interno ou externo. Com esse tipo de processo, a homologação dos projetos é feita em etapas, o que resulta em tempos de entrega mais curtos, geralmente de três a seis semanas, e na capacidade de promover alterações rapidamente.

Recentemente, o Grupo Fleury, especializado em medicina diagnóstica, criou um grupo de desenvolvimento focado em metodologias ágeis. O objetivo é atender a demandas com menor prioridade e que, no entanto, são importantes para os negócios da companhia. Segundo o gerente sênior de projetos da empresa, Fernando Alberto, a iniciativa está sendo um sucesso, especialmente em relação à percepção dos usuários. Como a entrega acontece de forma mais rápida, o cliente sente que o projeto está andando e tende a participar mais ativamente do processo.

O próprio Alberto reconhece, contudo, que nem todos os projetos são adequados para os métodos ágeis. “No caso de sistemas maiores, como um ERP (sistema de gestão), as metodologias tradicionais são mais indicadas”, afirma o gerente.

Aplicações

Para o sócio-fundador da consultoria Mondo Strategies, Ernani Ferrari, as metodologias tradicionais devem ser utilizadas em projetos de software que tenham ciclo de vida longo, como no caso de um ERP e outros sistemas críticos para as empresas. O motivo está na documentação gerada. A gestão e a guarda do conhecimento, explica Ferrari, são resolvidas de forma melhor com o uso de métodos tradicionais, como o RUP (Rational Unified Process), metodologia derivada da linguagem UML (Unified Modeling Language).

Segundo Ferrari, nas metodologias ágeis, pelo fato de gerarem menos documentação, a gestão do conhecimento depende mais das pessoas envolvidas no projeto. Em softwares com ciclo de vida mais longos, parte desse conhecimento pode ficar perdido com o tempo. Por esse motivo, elas são mais indicadas para o desenvolvimento de aplicativos pontuais e focados. É o que tem feito o laboratório Fleury.

Entre as metodologias ágeis, atualmente está em evidência o método Scrum — o nome tem origem em uma jogada de rúgbi. Uma das principais características do método é que o cliente torna-se parte integrante da equipe de desenvolvimento. Além das homologações, são feitas reuniões diárias com o cliente, de 15 minutos, por telefone. Há quem defenda, porém, o uso das metodologias ágeis também em projetos longos.

A questão é polêmica — existem empresas que usam metodologias tradicionais em projetos de ciclo de vida curto, com sucesso — e será difícil chegar a um consenso. Mas poucos profissionais discordam que o sucesso depende mesmo da boa definição dos requisitos e de uma comunicação sem falhas entre a área de negócios e o departamento de tecnologia.

fonte: CIO