Entenda a virtualização de desktops

A virtualização está no topo da lista de investimentos em TI de muitas organizações para os próximos anos. Tal afirmação pode ser atestada por um estudo realizado pelo Gartner, que apontou essa tecnologia como prioridade para os CIOs em 2010.

Porém, se no campo dos servidores, esse recurso já alcançou um nível representativo em termos de adoção, no caso da virtualização de desktops, ainda há um bom caminho a percorrer.

Uma das questões que retrata o estágio em que se encontra a Virtual Desktop Infrastructure (VDI, na sigla em inglês) é justamente a definição desse conceito. “O senso comum tende a associá-lo com a virtualização de aplicações, algo que já vem sendo utilizado há um tempo considerável no Brasil, mas que não pode ser classificado como VDI”, afirma Bruno Rossi, Diretor de Consultoria da ASM Consulting para a América Latina.

Para Reinaldo Roveri, Enterprise Research Manager da IDC, o conceito de VDI é um pouco mais amplo, pois ele envolve a entrega de uma aplicação, aliada a toda experiência de um desktop físico.

“É como se você colocasse seu desktop dentro de uma bolha e ele fosse capaz de ser entregue para diferentes dispositivos através da Internet ou de uma rede privada. A partir de qualquer lugar, o usuário acessa não só a aplicação, mas também o seu perfil, o seu sistema operacional”, explica Roveri.

Amadurecimento gradual
A despeito de interpretações equivocadas, a VDI já vem despertando o interesse dos gestores de TI. Contudo, essa tendência ainda não se traduziu em muitas iniciativas práticas no Brasil.

O índice ainda reduzido de exemplos de aplicação de VDI no Brasil também é ressaltado por Reinaldo Roveri. Como o segmento ainda é muito recente, não há dados exatos sobre esse mercado, mas o consultor da IDC faz algumas estimativas.

“O país conta com uma base instalada de cerca de 60 milhões de desktops. Acredito que as unidades virtualizadas dentro desse universo não passem de 5%. É um mercado ainda tímido, mas com viés de amadurecimento. Essa evolução será gradual”.

Oportunidades e desafios
Roveri destaca as aplicações em Call Center e Back Office, especialmente em instituições financeiras e seguradoras, como boas oportunidades para o estabelecimento do mercado de VDI, impulsionadas por fatores como redução de custos e menor complexidade de gerenciamento e manutenção.

Porém, para que esse segmento se desenvolva, algumas barreiras devem ser trabalhadas. Na parte dos fornecedores desses serviços, um dos pontos chave é a necessidade de evolução das tecnologias de rede, no que diz respeito à disponibilidade, eficácia e eficiência, fatores que afetam decisivamente na experiência do usuário, outro elemento crucial para esse amadurecimento. “Diante desses fatores, acredito que a tendência da VDI é passar por um modelo híbrido, combinado, que possa sustentar as operações em caso de falhas na rede”.

Já para os clientes, o consultor ressalta que uma das principais dificuldades é a mudança de paradigma na forma em que a empresa gerencia e entrega os desktops.“É uma questão cultural. É preciso saber se as pessoas estão preparadas para esse novo ambiente e de que forma as mudanças afetarão os colaboradores”.

Outro ponto é identificar se a empresa possui uma infraestrutura  efetivamente preparada para suportar esse formato virtual, já que grande parte das insatisfações em modelos de virtualização de servidores, por exemplo, é o mal dimensionamento da rede.

“É importante atentar não só para os benefícios conquistados, mas também para os erros cometidos na implementação dos projetos de virtualização de servidores. Eles podem ser um bom indicador do melhor caminho a seguir para um projeto de sucesso em VDI”, conclui.

fonte: Entenda a virtualização de desktops