Empresa de servidores quer eliminar 28 petabytes do Megaupload

Companhia diz gastar mais de 9 mil dólares por dia para manter os equipamentos funcionando; dados são equivalentes a 372 anos de vídeos em full HD.

O provedor responsável por hospedar o conteúdo do Megaupload, fechado no início do ano pelo governo norte-americano, quer apagar os dados do site, agora que os investigadores coletaram o que era necessário para o processo criminal contra os responsáveis pelo endereço.

A Carpathia Hosting afirmou que manter os servidores do Megaupload custa 9 mil dólares por dia, um custo que não deveria arcar, já que não faz parte do processo, de acordo com um documento emitido nessa semana pela justiça dos EUA, e obtido pela Wired. O Megaupload possui 1.103 servidores nos Estados Unidos e no Canadá, contratados a partir desta empresa, há entre 25 e 28 petabytes de dados armazenados, uma quantidade absurda de informações. 

Um petabyte de dados é equivalente a aproximadamente 13.3 anos de vídeo em alta definição [ou todo o conteúdo da Biblioteca do Congresso dos EUA], considerada a maior do mundo, multiplicado 50 vezes, de acordo com o documento judicial. Promotores federais condenaram sete pessoas e dois empresas por violação de copyrights e lavagem de dinheiro por estarem relacionadas ao Megaupload, por encorajarem o compartilhamento de conteúdos sem autorização dos donos dos direitos autorais.

O fundador do Megaupload, Kim Dotcom, está em liberdade após pagar fiança em Auckland, na Nova Zelândia, porém enfrenta um processo de extradição para os EUA, que deve começar em agosto.

Aparentemente, algumas partes desejam que os dados do site sejam preservados, entretanto nenhuma entidade se mostrou disposta a pagar por isso. A Carpathia, por sua vez, pediu autorização judicial para liberar os servidores para novos clientes. Alguns desses, localizados no Canadá, foram na verdade apreendidos pelas autoridades, enquanto agentes americanos copiaram dados que estavam guardados no hardware, conforme aponta o documento.

O Megaupload deseja que seus dados sejam mantidos para sua própria defesa, e para que seus clientes tenham a chance de ter suas informações de volta, já que muitos deles afirmam que utilizavam o serviço para fins legais. A Electronic Frontier Foundation, grupo de advocacia de direitos digitais e privacidade, deseja que as informações sejam preservadas pela mesma razão.

A Motion Picture Association of America [MPAA, entidade que defende os interesses dos estúdios de cinema dos EUA] também pede que os dados não sejam apagados. A MPAA enviou uma nota à Carpathia afirmando que pode ter ações civis contra o Megaupload e que “é potencialmente contra aqueles contribuíram materialmente e intencionalmente às violações feitas pelo Megaupload”. Já o governo norte-americano argumenta que os promotores não precisam mais dos dados, em uma outra declaração.

Os advogados da Carpathia, por sua vez, sublinham que as partes que estiverem interessadas nos dados devem pagar pelo armazenamento e hospedagem. Apenas o hardware que mantém os dados do Megaupload é avaliado em 1,25 milhão de dólares, e a empresa afirmou ainda que precisa mover o equipamento no próximo mês [uma operação de 65 mil dólares] por causa do contrato de locação expirado, levando o hardware para onde estão os servidores do Megaupload.

 

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