Dedicar tempo a projetos sociais ajuda na carreira

Cada vez mais empresas e instituições de ensino de primeira linha consideram o engajamento dos candidatos na hora de escolher o melhor para preencher uma vaga

Dedicar-se de corpo e alma só ao trabalho pode não ser tão benéfico quanto você pensa. E cada vez mais executivos estão descobrindo o valor intangível de reservar parte do seu tempo livre para praticar o bem.

Há cinco anos, Ronie Terni, gerente de relacionamento da consultoria de investimentos Reliance, participa da Associação Prato Cheio (APC), organização sem fins lucrativos que faz a coleta e doação de alimentos às instituições de caridade assistidas por ela. Acostumado a gerir recursos de seus clientes, o executivo empregou seu conhecimento na entidade, como tesoureiro, entre 2007 e 2009, chegando a ser vice-presidente.

Para ele, participar de um projeto social foi a forma encontrada de atuar em um segmento com impacto mais amplo na sociedade. “Gostava bastante do trabalho que fazia na Associação Prato Cheio. Principalmente porque trabalhava com pessoas que lidavam com o dinheiro, porém com cabeça de terceiro setor”, diz.

César Rego, líder da consultoria Hays em Curitiba, chama a atenção para o fato de a vida pessoal e a profissional estarem interligadas. Ou seja, você age no ambiente profissional de acordo com seus valores pessoais. “O trabalho voluntário não pode ser encarado como obrigação. Se isso lhe trouxer prazer, irá transparecer na vida profissional”, pondera.

Por isso, sugere o especialista, busque uma atividade que caiba na agenda, de forma a ser prazerosa e constante. Terni, por estar envolvido em outras atividades além da carreira, não consegue dedicar mais tempo à APC. Mas a intenção do executivo é retomar as atividades regulares na organização em breve.

Outro benefício de participar de um projeto social , segundo Terni, é uma melhor avaliação do currículo, não só do ponto de vista profissional. “Trabalho na Reliance há nove anos e acreditava que meu pedido para entrar no curso de MBA poderia ser reprovado por estar tanto tempo no mesmo lugar. Mas fazer parte da Associação Prato Cheio me favoreceu”, afirma

O gerente de relacionamento da consultoria de investimentos Reliance não comentou, mas Rego, da Hays, confirma que profissionais engajados em atividades sociais são mais valorizados por seus empregadores. O contrário também acontece: profissionais buscam empresas alinhados às suas crenças.

Terni só não se dedicou à instituição em 2010, período em que cursou MBA no exterior. Desde seu retorno, ele é conselheiro na APC e reúne-se semestralmente com outros membros para definição de metas semestrais e eventos que serão realizados ao longo do ano.

A dedicação do executivo pode servir de exemplo a outros profissionais que buscam aplicar seus conhecimentos e experiências fora do ambiente profissional.

“Participar de projetos sociais colabora, e muito, do ponto de vista de engajamento. As empresas precisam de funcionários engajados e motivados, de modo a gerar resultados satisfatórios”, destaca Carlos Eduardo Altona, sócio da consultoria em recursos humanos Exec. O contrário também acontece.

Se o profissional que exerce papel de liderança passa à equipe que seus valores não estão somente ligados a geração de resultados, isso tende a favorecer o clima organizacional.

Doar-se a projetos sociais também acrescenta uma dose de realidade, onde o executivo percebe o quanto é privilegiado. É possível perceber que existem situações piores e que, na maioria das vezes, felicidade e alegria alheia contaminam.

Também é possível se envolver em projetos liderados pela companhia e levá-los à vida pessoal. O próprio sócio da Hays Curitiba diz que a empresa de recrutamento preocupa-se com questões sociais e ambientais, incentivando seus funcionários a economizarem papel e energia elétrica. “Acabei seguindo o exemplo e fazendo o mesmo na minha casa”, diz Rego.

 

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