Crianças são as vítimas mais vulneráveis aos cybercrimes

Cerca de 80% dos pais não fazem a menor ideia dos que os filhos fazem no ambiente digital – e nem dos perigos a que estão expostos

Se os adultos já são vulneráveis aos ataques que acontecem na internet, imagine como ficam as crianças e os adolescentes nessa seara tão obscura. A porta que se abre para os cibercriminosos quando não são dados os devidos cuidados com a vida digital infantil foi tratada com pompa na 3ª Conferência Latino-americana de Analistas de Segurança, em Cancun, no México, no início da semana passada.

No evento, que reuniu reuniu experts e jornalistas de toda América Latina, o analista de malware da Kaspersky Lab Roberto Martinez explicou que as ameaças, neste caso, são muito mais comportamentais do que técnicas. E relembrou o caso da jovem canadense Amanda Todd, que foi chantageada e se tornou vítima de cyberbullying até sua vida social se tornar praticamente impossível. A menina se suicidou aos 15 anos mas, antes, contou toda sua história no YouTube.

Já é muito comum nas redes sociais, por exemplo, o roubo de identidade, além de difamação e postagem indevida de vídeos e fotos privados. Entre as práticas estão também o “sexting” (mensagens via celular com conteúdos eróticos) e o envio de imagens sugestivas via celulares.

— As crianças são muito inocentes e vulneráveis e o cibercrime se disfarça para atrair a atenção delas —, diz Martinez.

A opinião dos outros, nessa idade, também pode destruir a formação de uma personalidade. Nesses casos, um problema que era apenas virtual pode virar até social. A solução, sugere Martinez, começa na comunicação dentro de casa, além da proteção tecnológica. Controle parental no computador, com filtro de conteúdo e horário, que existe na maioria das suítes de segurança, podem ajudar, mas não como boas horas de conversa e cumplicidade.

Além do apoio da família, é preciso que as escolas também trabalhem ativamente na prevenção do cibercrime contra crianças. E coloquem nos seus programas disciplinas de educação para proteção da vida digital.

— Mas antes é necessário educar a nós mesmos, os adultos, para o controle (e não a proibição) do uso da internet. É preciso ter autoridade moral para esse tipo de conversa e criar um canal aberto de comunicação.

Maioria dos pais não tem ideia do que os filhos fazem na web
Hoje, 80% dos pais não fazem a menor ideia do que os filhos fazem no ambiente digital. No Brasil, segundo estudo da Cetic, 21% dos pais não faz qualquer restrição ao uso das crianças entre cinco e nove anos.

Apenas no México, 18% das crianças entre 10 e 15 anos já foram molestados via internet e 44% já se encontraram na vida real com pessoas que conheceram no mundo virtual. Quase 20% deles conhecem amigos que já trocaram imagens nuas ou seminuas via web.

Segundo estudo da Kaspersky Lab, uma coisa simples como mudar a cor do Facebook e outras iscas relacionadas às redes sociais são portas de entrada para vírus que controlam o navegador do usuário – no caso, das crianças. A pesquisa apresentada por Martinez listou ainda os sites mais bloqueados pelos pais a partir do controle parental. O primeiro deles é o Facebook, seguido do Twitter e de uma lista de blogs e outros endereços de conteúdo adulto.

— A tecnologia é uma coisa boa. Ajuda as pessoas e os países a evoluírem. O problema é o seu mau uso. Restringir tecnologia não é a solução para proteger as crianças na web. É preciso muita educação e um bom software de controle parental.

Fonte: Crianças são as vítimas mais vulneráveis aos cibercrimes