CIO tem grandes desafios na liberação de novas tecnologias

Desenvolvimento tecnológico avança nas empresas e na vida de cada pessoa, os limites passam a não ser tão claros e os gestores de TI devem lidar com novos clientes internos e externos

A tecnologia não é mais máquinas e motores de chão de fábrica. Ela está no dia a dia de quase todos os brasileiros, na mão ao comando do toque. Os recursos tecnológicos disponíveis em um mundo corporativo estão cada vez mais próximos do conhecimento do cidadão comum de classe média e requer uma adaptação menor quando da passagem do mundo privado para o mundo do trabalho em termos de conhecimento tecnológico.

A chamada revolução tecnológica agora passa a ser parte do cotidiano das pessoas com grandes implicações para o gestor de tecnologia da informação, para as empresas e para os funcionários como um todo.

Apesar do advento da televisão ter sido algo transformador da organização da sociedade, ela não chegou a fazer parte fundamental da vida profissional das pessoas. Já o telefone, o computador pessoal e a internet hoje são essenciais para grande parte das profissões ao mesmo tempo em que são três instrumentos fundamentais também nas vidas cotidianas.

A proximidade entre a tecnologia profissional e pessoal traz grandes mudanças para a forma como as empresas se organizam. De acordo com o professor do programa de pós-graduação em tecnologias de inteligência e design digital da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Sergio Basbaum, ainda vamos assistir ao redesenho das instituições, da educação, das formas de trabalho e produção ainda em fase gestacional. “Ainda estamos no começo de um processo que chamaria de desmonte da modernidade”, explica.

O desenvolvimento de uma tecnologia capaz de processar dados em pequenos espaços, em primeiro lugar, modifica a forma como a humanidade acumula conhecimento, o difunde, acessa, copia, reproduz e inova, explica o pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, Pedro Augusto Pereira Francisco. “São novas formas de lidar com o conhecimento,” avalia.

“O instrumento do cidadão se comunicar é hoje também o instrumento das empresas se comunicarem e estabelecerem negócios, no limite. A questão agora é que a comunicação não se dá apenas entre dois pontos, mas em rede”, explica o professor da PUC-SP. A vida profissional e a vida pessoal se confundem, por exemplo.

Segundo ele, a menor diferenciação entre o espaço comercial e a vida social faz com que a imposição de um produto no mercado seja cada vez menos eficaz. A figura do especialista se dissolve e as escolhas de consumo são cada vez mais feitas por articulações coletivas. Surge a necessidade das empresas se aproximarem do consumidor, buscar a cumplicidade e confiança mutua. “Não dá para empresa querer enganar”, diz.

Cada uma destas mudanças acaba sendo ainda mais forte e importante à medida que se desenvolve a mobilidade. Isto significa certa indiferenciação entre os diversos espaços. A rua pode ser o banco, a casa pode ser o trabalho e o trabalho pode ser a casa, para ficar apenas em alguns exemplos simples. “Há uma alteração do padrão de consumo. A noção de carga horária se perde, mas são mudanças que ainda estão um pouco represadas pela cultura anterior”, diz Basbaum.

Para além disso, torna cada vez mais fácil a separação entre desenvolvimento, produção e montagem de produtos em ambientes distintos, ao mesmo tempo em que os profissionais estão cada vez mais adaptados à comunicação por meios digitais, aponta o professor de economia política da informação e comunicação e sistemas e tecnologias de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcos Dantas.
Porém, apesar das várias mudanças tecnológicas e do momento de ruptura em vários sentidos, vivemos também um momento de continuidade, “A pessoas que gostam de novela, vão buscar novela na internet. A busca por lucro ainda é o que move uma empresa”, diz.

Esse cenário complexo é que o CIO deve enfrentar no seu trabalho. Para além das tarefas diárias, pensar estrategicamente como receber pessoas cada vez mais capazes tecnologicamente, cujo universo profissional e pessoal se confundem e com capacidade para tratar o tempo e o espaço físico de maneira diferenciadas é um dos grandes desafios colocados, sem também ignorar que muitas coisas continuam as mesmas. “Terá exito quem não quiser guardar o passado”, conclui Basbaum.

 

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