Certificações em TI: uma necessidade ou pura invencionice?

Para quem se apresenta como especialista, uma certificação poderia ajudar a atestar sua competência. Mas será isso o mais importante?

A questão da certificação em TI tem voltado à tona ultimamente e, à primeira vista, parece uma boa ideia. Praticamente todo mundo que trabalha com o segmento de TI já se deparou com quem se declara profissional e acaba demonstrando uma aptidão sem precedentes para estragar qualquer coisa em que encoste.

Normalmente leva poucos dias para que todos percebam que o sujeito não tem qualquer noção de sua área e de suas atribuições. Se certificação for a saída para esses casos, valerá a pena investir na busca pela solução e reciclar o profissional. Afinal de contas, as certificações têm funcionado para áreas como contabilidade e engenharia, não têm?

O exemplo da engenharia
A profissão de engenheiro pode ser desmembrada em várias vertentes, tais como civil, aeronáutica, elétrica e mais outras tantas. De um engenheiro civil esperam-se boas pontes e bons edifícios; de um engenheiro elétrico, que saiba definir a distribuição de energia elétrica de forma otimizada e segura.

Ninguém aventa a possibilidade de pedir a um profissional de edificações que desenvolva o projeto de uma aeronave, e poucos elétricos vão topar desenvolver estradas. Logo, no que tange a engenharia, especializações distintas não representam qualquer problema. Mas tudo indica que o que serve para essas áreas não se aplica ao segmento de TI.

Visite uma empresa de tecnologia e serão altas as chances de encontrar programadores atuando no gerenciamento de redes ou gerentes que subiram na carreira dentro dos data centers supervisionando equipes de help desk.

É preciso admitir: quando o assunto é TI, uma experiência variada pode ser algo muito positivo. São poucos os CIOs com conhecimento em apenas uma área, e as possibilidades de um CIO com várias estrelas em um único talento encontrar trabalho são remotas. 

Pau para toda obra
O que aos olhos de muitos pode caracterizar uma fraqueza é, na verdade, sinal de qualidade, e essa dinâmica, essa diversidade é um dos fatores que mantém as empresas de tecnologia ativas, em constante processo de renovação, assimilando com tranquilidade as constantes mudanças na direção dos ventos.

Aliás, essa dinâmica merece ser esmiuçada um pouco mais. Fomentar o desenvolvimento unidirecional pode ser uma boa para segmentos como o de contabilidade, em que as atribuições mudaram tanto nos últimos 400 anos quanto a composição física do feldspato.

Mas será que essa regra vale também para os desenvolvedores de software e engenheiros de rede? O que esses profissionais estarão fazendo daqui a cinco anos? Como garantir que as atribuições dos CIOs serão as mesmas com o passar do tempo?

Simples. Não há como. O que o segmento de TI precisa é de pessoas com raciocínio veloz, capazes de se adaptar ao ambiente volátil intrínseco à atividade e ao desenvolvimento das tecnologias. Quem entra nessa selva tem de estar pronto para aprender algo novo, antes de serem lançadas apostilas sobre o assunto.

Profissionais de TI versados em vários aspectos da tecnologia desconfiam de qualquer um que reivindique a coroa de expert em um segmento de TI; e estes, normalmente, abandonam as selas dos cavalos que dizem dominar assim que o bicho passa do passo para o trote.

Certificações em TI: uma necessidade ou pura invencionice?