7 dicas para usar o bom humor em apresentações de trabalho

Reinaldo Polito mostra qual é a medida certa para que sua apresentação fique interessante sem virar um show de stand up

 

Quer se dar bem em uma apresentação no trabalho? Fique atento às comédias de stand up. Essas apresentações trazem uma valiosa lição para quem, rotineiramente, precisa encarar uma plateia no ambiente corporativo: o humor é uma excelente estratégia para cativar o público – mesmo em períodos de duradouros “monólogos”.

“Nosso pensamento trabalha em uma velocidade quatro vezes mais rápida do que as palavras”, afirma Reinaldo Polito, especialista em oratória e professor da Universidade de São Paulo. “Em média, uma pessoa perde o foco da atenção a cada seis minutos”.

Nesse intervalo de tempo, você precisa trazê-lo de volta à realidade da palestra. É aí que o humor pode entrar em cena. Evidentemente que, se a apresentação tiver uma hora, você não irá contar 10 piadas apenas para seguir o ritmo da desatenção da plateia.

Na medida certa, o bom humor pode liberar a resistência dos ouvintes e torná-los mais receptivos aos seus argumentos. Além disso,  em alguns contextos, como em uma reunião com a diretoria da empresa, ao se materializar em observações sutis e levemente irônicas a presença de espírito pode ser uma demonstração da sua própria inteligência e um elogio à inteligência da plateia, segudo o especialista.

Mas essa estratégia requer limites também. Confira as dicas de Reinaldo Polito para usar o bom humor na medida certa durante as apresentações no trabalho:

1. Não aposte tudo no início

Sob a justificativa de “quebrar o gelo”, há quem logo nos primeiros segundos da apresentação esboce alguma piada clássica. Se você é adepto dessa prática, sinal vermelho. Essa estratégia pode levar a um cenário de auto sabotagem perversa.

No início da apresentação, os níveis de adrenalina tendem a estar mais altos e a insegurança ficar latente. Por conta disso, se a reação da plateia à brincadeira for frustrante logo de cara, todas as suas estratégias para cativá-la podem ficar comprometidas.

“Se a piada não tiver graça, você ficará desestabilizado”, diz Polito. Prefira deixar as piadas mais clássicas para o meio da apresentação, quando sua segurança já estiver consolidada.

2. Use o contexto

Por conta desse fator, o especialista aconselha que o ideal é deixar as piadas prontas de lado e recorrer a fatos engraçados do contexto da apresentação.

Recentemente, Polito aproveitou um fato anterior à palestra para pincelar com bom humor sua apresentação. “Contei para a plateia que minha esposa não tinha acreditado que eu daria duas palestras naquele dia e pedi para que eles deixassem eu tirar uma foto do auditório para provar para ela”, diz.

“Eram cerca de 800 pessoas e eu pedi para que eles se ajuntassem porque todos não estavam cabendo na foto”. No segundo seguinte, todos estavam às gargalhadas.

Se as 800 pessoas presentes não tivessem rido, Polito seguiria a palestra sem culpas já que, ao contrário de piadas que miram e até exigem risadas, comentários ou brincadeiras relacionadas ao contexto da apresentação devem ser feitas sem esse tipo de obrigação